Projeto EMPREENDER COLABORAR TRANSFORMAR

Existe um movimento crescente de pessoas que se dedica à resolução de problemas da sociedade através de iniciativas inovadoras, sustentáveis e solidárias. Participar deste movimento é a proposta do Projeto “empreender COLABORAR TRANSFORMAR”. Incentivar os alunos da Escola Secundária de Miraflores a criar mais e melhor valor para a sociedade é o grande objetivo deste projeto.

Para atingir este objetivo inspiramo-nos nos inúmeros exemplos de empreendedorismo, nomeadamente o social, que nos entusiasmam e fazem acreditar num rumo verdadeiramente gratificante para o mundo em que vivemos.

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Formas alternativas de riqueza: tempo, comunidade e atenção (I)


Parte I

Falaremos, hoje, do tempo como forma alternativa de riqueza

Tempo, esse bem precioso, esse capital imenso que nos parece ser tão escasso, por vezes. Como nos diz José Tolentino Mendonça: “A experiência que fazemos é a de não possuir o tempo, não conseguir travá-lo na sua fuga sem fim. A vida é uma corrida, uma aceleração: às vezes parece que a estrada, debaixo dos nossos pés, corre mais do que a nossa marcha.”

 Mas, de facto, não é a quantidade de tempo o que mais importa. Utilizar o tempo de forma socialmente construtiva, dedicando-o aos demais, permite que ele perdure quase infinitamente. 
  
Em termos de inovação social - “mudança no modo de pensar, agir e responder às necessidades das pessoas e da sociedade” – deparasse-nos um exemplo pioneiro fantástico que nem sempre associamos a esta dádiva que multiplica o tempo de cada um de nós: a Wikipedia. “Quando recorremos à Wikipedia não pensemos nela como um lugar onde as pessoas oferecem o seu trabalho voluntário, segundo os dados disponíveis cerca de 100 milhões de horas de voluntariado foram oferecidas a este projecto. E isto corresponde apenas a 1% do tempo considerado disponível. Os outros 99% ainda estão por explorar.”

    Outro exemplo maravilhoso de dádiva e perpetuação do tempo é o que diz respeito aos bancos do tempo. São 300 em todo o mundo. Em Vermont, por exemplo, existem bancos de assistência para fornecer cuidados informais a idosos. Em Seattle já há um centro para a terceira idade, chamado Mount, que tem a particularidade de integrar um berçário, o que permite uma aprendizagem intergeracional. Trata-se de uma ideia brilhante, porque tanto os mais velhos quanto as crianças têm imenso capital tempo. Juntá-los permite uma quantidade imensa de trocas de riqueza diferentes. Os idosos têm histórias, têm experiência, têm sabedoria; as crianças têm curiosidade, energia e entusiasmo. Juntar todos estes recursos permite a criação de uma quantidade enorme de valor.  
Em Portugal a Graal implementou o Banco do Tempo em que os seus membros se “disponibilizam para fazer o que mais gostam e podem solicitar qualquer serviço disponível na sua agência.”

Sim, o importante é perguntar-nos o que fazemos do tempo e permitir-nos que ele se perpetue nos outros num infinito de amor e sentido.










Os novos movimentos cívicos


Os novos movimentos cívicos expressam a progressiva orientação da sociedade no sentido de um futuro sustentável. Têm, muitas vezes, uma ação difusa, mas não deixam de ser efetivos. São protagonizados, em grande parte, por jovens, mas também há muitas pessoas de outras idades que a eles aderem dando fôlego a uma mudança no caminho da sustentabilidade em todas as suas dimensões. Aqui ficam alguns exemplos:

*      “Movimentos de transição” – integram critérios muito variáveis que passam pela permacultura, transição energética, conservação da biodiversidade e paisagem, projetos para as ecoaldeias…


*      Movimentos dos “proconsumidores” e “consumidores éticos” – vivem tanto na cidade como no campo, mas renunciaram ao uso da maior parte dos plásticos, reduziram o consumo não responsável nem justo. Frequentam mercados biológicos ou compram cabazes online e usam transportes amigáveis. Incluem-se neste grupo os que podem produzir a energia que consomem.


*      Rede Cuidar da Casa Comum – movimento que promove a ecologia integral, inspirado pela encíclica papal “Laudato Si”.


*      Movimentos autodefinidos em torno de propósitos específicos (Greve Climática Global; Extinction Rebelion, Blockadia, Climate Justice Action)


Fonte: Expresso - Novos movimentos cívicos: tendências e mudanças, Luísa Schmidt