Projeto EMPREENDER COLABORAR TRANSFORMAR

Existe um movimento crescente de pessoas que se dedica à resolução de problemas da sociedade através de iniciativas inovadoras, sustentáveis e solidárias. Participar deste movimento é a proposta do Projeto “empreender COLABORAR TRANSFORMAR”. Incentivar os alunos da Escola Secundária de Miraflores a criar mais e melhor valor para a sociedade é o grande objetivo deste projeto.

Para atingir este objetivo inspiramo-nos nos inúmeros exemplos de empreendedorismo, nomeadamente o social, que nos entusiasmam e fazem acreditar num rumo verdadeiramente gratificante para o mundo em que vivemos.

Alda Coutinho

Teresa Ferreira

Os nós cegos da economia


  •        " Imagem ultra simplificada da natureza humana, partindo do princípio de que as pessoas são unicamente motivadas pelo desejo de maximizar o lucro.
  •       Princípio de que a solução da pobreza está na criação de empregos para todos – que a única forma de ajudar os pobres é proporcionar-lhes postos de trabalho. O único tipo de trabalho que a maioria dos livros de economia reconhece é o trabalho dependente.
  •       Não reconhecer a família como uma unidade de produção e o trabalho independente como uma forma de ganhar a vida. As pessoas deviam ter a opção de poder escolher entre o trabalho dependente e independente.
  •       Suposição de que o empreendedorismo é uma qualidade rara. Pelo contrário, a capacidade empreendedora é praticamente universal. A sociedade nunca deu às pessoas pobres uma base adequada para crescerem. Quando os pobres forem autorizados a libertarem a sua energia e criatividade, a pobreza desaparecerá rapidamente."                                               Muhammad Yunus

Van Gogh


Para Muhammmad Yunus a principal tarefa de um programa de desenvolvimento é tentar despertar a criatividade que existe em cada ser humano. Na sua base  está a criação de um ambiente favorável que permita a cada ser humano explorar o seu potencial criativo.


No livro "Criar um mundo sem pobreza" M. Yunus fala-nos do talento nato de todos os seres humanos – o talento para sobreviver. Diz-nos que concentrou os seus esforços no que pudesse  possibilitar a concretização do potencial dos mais pobres. "Dar aos pobres acesso ao crédito permite-lhes pôr imediatamente em prática os talentos de que já dispõem – tecer, descascar arroz, criar gado e guiar um riquexó" (…).


(…) Decisores públicos, consultores internacionais e muitas ONG partem, normalmente, do princípio oposto – que as pessoas são pobres porque não têm aptidões. Baseados neste conceito, os seus esforços antipobreza começam por ser construídos em volta de elaborados programas de formação. Eles optam pela formação porque esse é o caminho que indicam as avaliações viciadas que tomam por princípio. Mas se vivermos tempo suficiente com os pobres, descobrimos que a pobreza se deve à incapacidade de retenção dos resultados do seu trabalho. Eles não têm qualquer controlo sobre o capital. Os pobres trabalham para benefício de outros que controlam o capital.

E porque é que isto acontece? Porque os pobres não herdam qualquer capital e porque ninguém, no sistema convencional, lhes dá acesso a capital ou a crédito (…).

(…) E quanto à formação profissional? A formação, per se, não tem nada de mal. Pode ser extremamente importante para ajudar pessoas a ultrapassar dificuldades económicas. Mas a formação pode ser dada apenas a um número limitado de pessoas. Para responder às necessidades de uma vasta massa de pobres, a melhor estratégia é deixar que as suas aptidões naturais se desenvolvam, antes de começar a ensinar-lhes aptidões novas. Conceder crédito aos pobres e deixá-los usufruir dos frutos do seu trabalho – muitas vezes, pela primeira vez na vida deles – ajuda a criar uma situação em que eles próprios sentirão necessidade de formação, começando a procurá-la e dispondo-se até a pagar por ela (embora, em grande parte das vezes, não mais do que a um preço simbólico). Nestas condições, a formação pode ser realmente importante e eficaz.”

   
        Estas palavras levam-nos a reflectir na nossa cegueira perante a energia e criatividade de todos os seres humanos e nos muros que são impostos à metade inferior da população mundial.

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